segunda-feira, 16 de junho de 2008

Ele novamente...

Stendhal descreve ainda o "nascimento do amor" num novo relacionamento como um processo muito similar ou análogo a uma viagem a Roma. Na analogia, a cidade de Bolonha representa a indiferença e Roma representa o perfeito amor.

"Quando estamos em Bolonha, somos inteiramente indiferentes, não nos preocupamos nem admiramos, de forma nenhuma, a pessoa pela qual um dia talvez nos apaixonemos perdidamente; menos ainda está nossa imaginação inclinada a valorizar suas qualidades".

Numa palavra, em Bolonha a 'cristalização' ainda não aconteceu. Quando a viagem se inicia, o amor começa. Deixamos Bolonha, subimos os Apeninos e pegamos a estrada para Roma. A partida, de acordo com Stendhal, não tem nada a ver com a nossa vontade; é um momento instintivo. Esse processo transformativo se dá através de quatro passos ao longo da estrada:

1. Admiração: ficamos encantados com as qualidades da pessoa amada.
2. Reconhecimento: conhecemos o prazer de obter o interesse dessa pessoa.
3. Esperança: imaginamos ganhar em breve o amor daquela pessoa.
4. Contentamento: ficamos felizes ao superestimar a beleza e os méritos da pessoa cujo amor esperamos conquistar.
Representação da 'cristalização' no processo de se apaixonar - desenhado por Stendhal no verso de uma carta de baralho, enquanto conversava com Madame Gherardi, durante seu passeio pelas minas de sal de Salzburgo.

A noção de 'cristalização' também é uma idéia-chave na estética de Stendhal, que estende essa metáfora para a teoria a respeito da arte e da literatura. De acordo com ele, o processo artístico, o poder evocativo do artista, é sempre uma 'cristalização'.

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